segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Etéreo

algum dia eu vou ser restos de ossos no fundo da terra

tudo o que eu tenho vai ser pó, vai sumir
todas as coisas com que me preocupei não mais existirão
todos os momentos vão ser um só
tudo o que já vi e tudo o que sei
será ruína
ruína sem conserto
todas as pessoas vão ser vento
as duvidas vao evaporar no vazio
no infinito escuro
e todo o planeta vai ser poeira
e as horas que passei

ah sim, todas aquelas horas que passei, pensando

não serão nada além de uma ínfima cicatriz no corpo sem fim do tempo

sim, todo o tempo que vivi, e todo o tempo que já pude meramente imaginar
vai ser um milésimo de segundo
que vai ficando mais curto, até se unir ao segundo eterno

o segundo eterno e único, que foi e será todo o tempo

as pedras e o ferro, o aço
os corpos, as estrelas,
irão se tornar pequenos grãos de areia num deserto sem fim

como gotas de óleo num oceano denso
que se evapora e flui
sem motivo...

tudo sem motivo, já que qualquer motivo que se possa imaginar,
não mais existirá e nem nunca existiu

a razão vai ser revelada, e ela não será nada


e enquanto eu medito sobre vida e morte
o espaço se estica cada vez mais

apenas para depois voltar a encolher

meu cerebro esquenta e minha mente voa,
flutua sobre as dores e os sofrimentos
sobre as nuvens,

castelos de ar, deuses de oxigenio, banhados pelo sol

e eu posso saber que sou apenas um homem
nem o melhor nem o pior

então eu deixo os desejos saírem
para dar uma volta

porque a resposta eu nao sei

ah, eu nao sei

eu nao sei




deuses de oxigenio, mãos de lava
corpos de jade,
olhos de seiva, amor de cheiros

unhas sem vergonha,
fluxos de pessoas
sorrisos de cimento

fumaça de palavras
fumaça de palavras

silencio




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