Reflexões
Neste anoitecer eu observo toda a vida da terra
Mergulhado numa névoa de pensamentos,
Cheio de perguntas sem respostas
Eu indago a minha própria imagem
Vendo a chuva e as sombras
Enquanto surge a pálida lua...
Percebo-me fora desta realidade
Mas a minha verdade não é real?
Em minhas ruínas empoeiradas
Em meu isolamento soturno
No âmago da melancolia
Onde nada se move
Seriam ilusões estes grifos imperantes?
Estas fadas que me visitam a noite?
E estas magníficas pirâmides onde descanso na madrugada?
Não fazem parte do mesmo universo?
Já que dele não sabemos nada
Por que, por que?
Sou um lobo que perambula pelos corredores, solitário
Cheio de rancor e indignação
Como um cavaleiro negro em busca de algo
Que ninguém sabe
Por estradas invisíveis, sempre quieto
Isolado em meio à multidão
Por que admiro a beleza de um cemitério lúgubre?
As folhas secas de um outono gelado
As ruínas mórbidas de uma torre medieval
Corvos a se alimentar
E a minha própria dor eterna
Seria a magia dos livros antigos que levaram meu coração para suas terras esquecidas?
Ou o vinho e o absinto que destilaram meu cérebro?
Talvez tenha nascido com esta aura oculta
Estaria eu sozinho neste mundo, excluso?
Condenado a ser eu mesmo para sempre, sem par?
Não, graças a Bast, não...
Já vejo meus seguidores com suas vestes escuras
Chegando a minha humilde casa, meu esconderijo
Trazendo suas poesias lamentosas para compartilhar
As suas dores e revoltas para dividir
Ouço suas vozes a murmurar
Não, não estamos sozinhos
Os filhos dos deuses antigos ainda tem seu lugar
Mesmo que ainda pequeno
Fome vampírica eterna
Venha alimentar minha fome
Abrace-me forte sem receio
E rasgue a pele de minhas costas com unhas de navalha
Deixe o sangue jorrar
Enquanto eu bebo das veias
Do seu pulso ardente
Eu te chamo alto com minha voz gutural
Nos ventos das noites frias de inverno
Venha!
Venha servir-me de sua carne, de sua saliva
Tentar conter a minha fome eterna
Ouça o chamado místico de minha alma
Livre-me desta realidade suja e sem razão
Vamos dançar a dança dos excluídos
Sorver a beleza destas flores do mal
Reúna-se em mim
Seja parte da minha mente e corpo
Aperte as minhas mãos com firmeza
Beije-me com glória
A glória dos excluídos
Diga-me sim
Como vingança por todas as vezes que a vida lhe disse não
Despeje em meu ser a tristeza azul da Prússia do seu âmago
Aqueça-me
Para que as minhas lágrimas congeladas possam derreter
De uma vez por todas
Thiago Bakargy
quarta-feira, 24 de junho de 2009
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